sábado, dezembro 25, 2004

 

Para os loucos de Lisboa (sempre raros)

Alta telepatia mental
Sem pressa
Síntese (idade de Aquário)
a nova ciência da telepatia
acima da palavra
o dísciplo
consciente disso

Os loucos de Lisboa estão ao nível dos loucos de Nova Iorque, que têm melhores condições de trabalho, apoios institucionais, mecenato, estúdios na Baixa. Os loucos de Lisboa têm o peito, o corpo moreno das luzes das pequenas capelas e dos dias em que vão ao sol à Caparica.

O "disco do ano"* é afinal o motor do meu texto blóguico. Escrevo português na direcção e para os loucos. António Variações, Zé da Guiné, o vocalista dos Heróis do Mar passeando em Londres, outros loucos que espero ver subindo a rua do Carmo, descendo do Bairro Alto, ofuscando tudo de luz.

O velho cineasta ainda lá está, debaixo daquela árvore no Príncipe Real, dando postas de fígado aos pombos. Está, no plano mental, telepático, de alma. Um outro demora uma eternidade no gesto do cigarro à boca. Canta de olhos fechados e não tem coragem de morrer, nem de matar.

António Variações disse adeus à Sé de Braga e a Manhattan. Queimou-se num fogo mais que sol. Não há curandeiro de tribo africana que cure os males do corpo (embora o grande louco acredite nisso). De Lisboa para o mundo, subindo pelo odor das serras da infância. O sol pondo-se na mão que toca o peito, na cidade que amanhece no mesmo instante.

Alguém disse: o mundo só avança com as excepções. Está visto.

*CD dos Humanos, que dá vida aos “brutos” do Variações.

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