segunda-feira, janeiro 31, 2005

 

“Estes colos sabem bem”

“Ainda sou do tempo”
em que não se admite que alguém com aquela visibilidade possa ser tão assumidamente machista e homofóbico.



sábado, janeiro 29, 2005

 

Keynote (para a taberna toino da cunha) (hoje)

Acessórios de beleza
Acessórios para a barba
Acessórios de costura
Acessórios para escrever
Acessórios para fumo
Açucareiros
Alfinetes de gravata
Almofadas
Almofadas para alfinetes
Anéis
Anteparos de lareira
Anteparos de lareira com pés
Aparadores cellaret
Chocolateiras
Apoio para cigarros
Apoios de telefone
Arcas
Armas
Armaduras
Armários
Arte da trincheira
Astrolábios
Autógrafos

sexta-feira, janeiro 28, 2005

 

A fanfarra

A baixa-shiatsu aplaude o autocolante vermelho no nariz da campanha.

Não me informei bem e não sei se já se descobriu quem foi o activista (ou os activistas). Constou-me também que Jerónimo de Sousa não teve (talvez por não precisar) direito ao simpático adereço. Foi?

quinta-feira, janeiro 27, 2005

 

Activism is Dead (o concerto experimental)

Spoken word, improvisação sonora ou o que quer que seja…

A baixa-shiatsu vai dar o primeiro concerto da temporada na Taberna Toino da Cunha em Almeirim, no Sábado dia 29, lá para as 22h. Para quem quiser e puder, fica aqui o convite. Não se paga nada e há cafés de graça.

A formação:
Filipe Bonito – Guitarra
João Manso – Baixo
António Chaparreiro – Ausência
Miguel Manso – Textos e Vinho Tinto

Há ainda a possibilidade de contar com:
João Pacheco – Violoncelo e Textos

 

Esteve um dia lindo no teu sorriso


Olho a cidade nos olhos. Mas há colinas mais difíceis que outras.

Senhora do Monte:
Nota que mudei o tempo verbal do meu amo-te.
Mantenho o “esteve” do meu poema.

Adeus ao bairro da graça*


* Acho que tirei isto de uma canção do Zeca Afonso.

terça-feira, janeiro 25, 2005

 

Ambições

Quero ser um domador de macacos...

segunda-feira, janeiro 24, 2005

 

Um fulano sorridente em Melides

Para o Manuel Silva e o Werner, que conheci momentos antes do pôr-do-sol na praia Atlântica e Alentejana do concelho de Grândola (vila morena).

Nasci para enfrentar o mar
Da esplanada Vinho Verde
Cigarro nos dentes mãos grandes
Pacíficas sobre o plástico da mesa

 

Meteorologia sentimental

Porque o bom tempo não depende só do clima, bom tempo fará durante esta semana fria.

Bom tempo com a gola do casaco puxada para cima, olhos semicerrados em atitude cinematográfica.

domingo, janeiro 23, 2005

 

Bom tempo

Passear por Lisboa no sol de Janeiro.
Acordar com a luz branca na janela do quarto.
Acordar com alguém ao lado tocar a pele desse alguém ao lado.
Passear por Lisboa com alguém no sol de Janeiro.
Acordar tarde.
Beber água na varanda olhando o sol aos poucos.
Não ouvir música ouvir os pássaros e os automóveis.
Abraçar.
Comprar o último jornal a cheirar a almoço.
Não ler nem sequer as palavras gordas.
Não ouvir nem sequer os noticiários a cheirar a almoço.
Almoçar por aí.
Passear por Lisboa no sol de Janeiro.
Óculos escuros.
Braços.
Abraços Saliva Cigarro.
Adormecer num jardim impensável.
Acordar no colo num jardim com pássaros.
Andar por aí.
Fazer amor como faz bom tempo.

quarta-feira, janeiro 19, 2005

 

O nº68


Nesta casa, o nº 68 da Saraiva de Carvalho em Campo de Ourique, terá morrido Almeida Garrett. Em Dezembro último comemorou-se os 150 anos sobre o facto e eu escrevi um texto na Bicicleta Ousada (um blogue que durou um mês e que foi pedalado a meias com o João Pacheco).
A casa está a cair e não sei se há planos para a recuperar. Fica a fotografia e o texto repescado.


Para o Garrett,
em jeito de homenaviagem na minha terra


Almeida Garrett sobe o Tejo até Santarém. Do alto das Barreiras vê a Lezíria toda, os campos cultivados, as vinhas, a serra, o céu enorme. O país é um povo pobre que escarra e canta e trabalha a terra. Há um sol e pólvora, rebentam bombas nas mãos de homens. Quem pode foge pelas serras, com a roupa do corpo, uma manta para dez. Os pés nus e pretos, as crianças magras, as mães sujas e feias. E o cheiro da pólvora, o frio da noite, a política. A revolução abria peitos à bala. Numa madrugada marcial e gelada.

Espreito do alto das Barreiras a minha terra. Um céu azul, a ausência de mar mas o rio longo em direcção a ele. Silêncio de pássaros, comboios lá em baixo, pessoas distantes sem voz, sem som. Penso no Almeida Garrett minado de cancro em Lisboa. Imagino-o numa cama comido por dentro. As amantes uma a uma em visita de lágrimas. Na Rua Saraiva de Carvalho em Campo de Ourique. O homem em agonia cuspindo sangue. Numa rua ao lado escrevo impunemente frases sem rigor histórico. Na Rua da Arrábida, sem conhecimento de causa.

Na verdade nada sei sobre a minha terra, ou sobre o homem que terá escrito a primeira descrição de um acto sexual em língua portuguesa. E que morreu aqui ao lado, numa casa da Rua Saraiva de Carvalho. Minado de cancro, pensa-se. Sei pouco de Liberais e Miguelistas, mas terei vindo em ascendência directa dessas mães sujas e feias, desses homens descalços. Pobres que da Lezíria subiam às serras em noites de rebentamento e incêndio. Terei vindo desse povo que vestia roupa negra e gasta e que trabalhava a terra e morria tísico e tuberculoso, explorado.

Agora sou vizinho de um morto. De dois mortos importantíssimos: Garrett e Carlos Paredes, que terá morrido um pouco mais acima, num lar perto do largo dos Correios. Penso nisso com a ingenuidade toda. E com respeito. Ter vindo para Lisboa foi ter percebido que existe uma cidade onde se pode conviver com mortos e vivos incendiários. E em maior abundância que na minha terra plana. Tropeçar no Cesariny na Rua do Sol ao Rato com poucos dias de cidade: foi e é pirotecnia, habituado como estava ao Cesariny impresso e depositado em Biblioteca Pública. Lisboa é uma revolução permanente. Lembra-me o cheiro a pólvora da guerra civil desse tempo do Garrett. E vim eu das serras onde os meus avós se escondiam, para participar na entropia politica, social, cultural do país. Fazer parte disto. Escrever dentro disto. Usar a língua do Garrett.

E o Garrett a morrer ali ao lado, com a sua barba esquisita. Os olhos na amante, as mãos na amante. É às amantes que melhor tem servido a língua portuguesa.

 

As mãos e os frutos

Fez hoje 82 anos o poeta Eugénio de Andrade. Dentro da minha cabeça estes versos:
“hoje roubei todas as rosas dos jardins/ e cheguei ao pé de ti de mãos vazias”.

Agradeço ao poeta.


 

Entropia blóguica e inspiração cartoonistica

Munam-se de sentido de humor e vão espreitar o blogue do Morais Sarmento:
http://www.moraissarmento.blogspot.com/

E estejam atentos ao livro “O Fenómeno” dos cartoonistas Cid e António, dedicado por inteiro ao Sr. Lopes.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

 

Cinemateca

Espero sempre naquela mesa.
É no fundo, de frente para o Le Grand Sam, com John Wayne e Stewart Granger. Isto se for no Inverno, quando fecham a esplanada. No Verão fico sempre lá fora e olho os prédios e fumo tabaco de enrolar, vejo quem entra e se senta nas outras mesas.

Escrevo estas linhas na mesa que dá para o cartaz onde John Wayne, de carabina nas mãos e pernas ligeiramente flectidas, está como quem se vira energicamente para um mau, que o terá surpreendido numa emboscada.

A cinemateca é dos melhores sítios em Lisboa para desgostos de amor. Quero dizer, é dos melhores sítios também para os amores, os amantes, que se mascaram de cinéfilos para não dar bandeira. Amantes em pose de cinéfilos sendo alegremente surpreendidos em consentidas emboscadas de pele e saliva no meio do escuro do cinema.

Utilizo bastante a cinemateca, e já o fiz com os dois semblantes.

Devo dizer que o ciclo do Fellini me salvou a vida, quando esta era menos doce.


quarta-feira, janeiro 12, 2005

 

Adenda ao post de 8 de Janeiro

Faltou dizer da música. E agradecer à J. e à X. o belo repertório. Foram mais de três horas de hits no terreno, e muitas mais de aturada pesquisa e muito download.

A baixa pede desculpa pela omissão. Beijos.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

 

Let us compare mythologies*

Espero um dia ver-te parada no meio-dia do teu cigarro de fim de almoço. A toalha da mesa suja de azeite na sombra do quintal, o teu corpo quente, a luz no teu vestido, nas tuas pernas brancas de domingo. E parados, espero ver nesse silêncio de sorriso e fumo e pássaros todas as imagens que ainda não filmaste.

Calçada do Duque. Restaurante Bar Solar dos Galegos. O indivíduo de barba branca escreve para assassinar a própria morte. Tem um enorme rio dentro do peito que usa para gerir o tamanho do incêndio que as palavras ateiam.

Cabo Carvoeiro. Parte do reino dos corvos marinhos instala-se no corpo do monstro de pedra. O monstro está ali aos anos, plantado no fim do cabo: cabeça, tronco e braço, uma solidão do tamanho do mar. Resta fotografá-lo do alto do miradouro antes que desista e desmorone para dentro do oceano onde não há vento, nem corvos marinhos e onde fará ainda mais frio no seu coração de pedra. Ao longe, as Berlengas são o reino de gaivotas.

O Amolador de Tesouras aparece no seu corpo invisível de música e nevoeiro. Chega dentro dessas manhãs da infância e é ao mesmo tempo o D. Sebastião, o Galego e o Cigano. Seguro a mão da minha avó a caminho da Padaria onde o meu avô Padeiro está à espera no portão com o seu olhar alegre e cansado de quem fez pão a noite toda. A música do Amolador ainda se ouve no longe das ruas. O cheiro do meu avô (que é o cheiro do pão) invade as primeiras horas da Vila.

X. filma o fumo de uma chaminé em Glasgow entrando no céu triste da Escócia. X. cataloga silêncios e pensa em casas com jardim, em Lisboa. Eu penso em Zorba o Grego. Penso em cinema. Penso nas carpideiras mediterrânicas e nas mulheres da Nazaré, sentadas na areia da praia. Penso em Cartier-Bresson. Penso em X.

(Inês de Castro morreu a 7 de Janeiro de 1355, o mito prevalece 650 anos depois)



*O título de um livro de poemas de Leonard Cohen

sábado, janeiro 08, 2005

 

Os deuses também vão à farmácia (pequena curiosidade ainda de 2004)

Passei a noite de fim de ano no Estoril, em casa de amigos. Nessa noite, a dois passos dali, Woody Allen and his New Orleans Jazz Band entretinha umas centenas de ricaços curiosos, que pagaram 500€ para poder ver o génio do cinema e do humor tocar ligeiramente bem um clarinete…

Da minha trupe de fim de ano houve quem tivesse mais sorte, senão vejam: pagámos apenas 5€ para comidas, bebidas e afins; música, amigos novos e antigos não faltaram; tínhamos um cão salsicha e uma anciã de 95 anos como mascote e amuleto (por esta ordem); e houve até quem soubesse escolher a melhor hora para ir à farmácia, na mesma altura em que, de gabardina até aos pés, Woody Allen, o próprio, foi aviar umas receitas.

Até já!

 

Regressando

Agora posso escrever outra vez, já definitivamente dentro do ano de dois mil e cinco e com um sorriso que vai do coração à ponta dos dedos.
O porquê não caberá neste blogue, nem é coisa concreta, explicável. Ficará apenas catalogado na minha lista dos GRANDES SUSTOS PRIVADOS.

Mas adiante.

segunda-feira, janeiro 03, 2005

 

Resoluções

A baixa-shiatsu (Blogue) quer percorrer a cidade com uma pequena máquina fotográfica na mão.

A baixa-shiatsu (Spoken Word) quer dar concertos em Lisboa.

A baixa-shiatsu (Blogue) quer ter mais de cinco leitores.

O baixa-shiatsu (Autor) queria uma mulher que estivesse numa companhia de dança e fosse um golpe comunista dos antigos *.

A baixa-shiatsu (Spoken Word) quer reunir textos para combate.

O baixa-shiatsu (Autor) talvez queira reduzir no tabaco.

Autor,
Blogue e
Spoken Word

Desejam Bom Ano
E tal…



*de um poema do Nuno Moura

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