segunda-feira, janeiro 17, 2005

 

Cinemateca

Espero sempre naquela mesa.
É no fundo, de frente para o Le Grand Sam, com John Wayne e Stewart Granger. Isto se for no Inverno, quando fecham a esplanada. No Verão fico sempre lá fora e olho os prédios e fumo tabaco de enrolar, vejo quem entra e se senta nas outras mesas.

Escrevo estas linhas na mesa que dá para o cartaz onde John Wayne, de carabina nas mãos e pernas ligeiramente flectidas, está como quem se vira energicamente para um mau, que o terá surpreendido numa emboscada.

A cinemateca é dos melhores sítios em Lisboa para desgostos de amor. Quero dizer, é dos melhores sítios também para os amores, os amantes, que se mascaram de cinéfilos para não dar bandeira. Amantes em pose de cinéfilos sendo alegremente surpreendidos em consentidas emboscadas de pele e saliva no meio do escuro do cinema.

Utilizo bastante a cinemateca, e já o fiz com os dois semblantes.

Devo dizer que o ciclo do Fellini me salvou a vida, quando esta era menos doce.


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