segunda-feira, fevereiro 14, 2005

 

Feira da ladra em texto automático.

(com incursões marginais)

Porque a resposta clara vem de dentro das nossas palavras tão gastas e ainda fazes parte de um dia inteiro fotografado. Depois, era tão natural ficar horas a ler as tuas anotações, o teu caderno onde anotas todos os passos e todas a direcções. Erros e dramas de viagem algumas lágrimas ao pé de rios, o último cinema.

Encostei o meu rosto. Tenho dormido tanto que tenho as marcas disso. Na tua espera. Esperas por mim? Soltas essa maneira silenciosa de fotografar os domingos em que não estou. Os sábados onde compramos brinquedos. Na feira cheia de carteiristas certeiros. Também eu ponho secretamente a minha mão no teu decote. Escreves isso no teu diário: golpe de karaté muito rápido.

Encostei a minha cara. Estou tão desperto, calço sapatos dignos de ruas cheias de Verão. Faz-me falta o tempo a passar na esplanada azul. Fazes-me falta. Podia ser tudo como uma viagem de automóvel na marginal. Aceleras de óculos escuros tens aquele lenço das bolinhas no pescoço o cabelo solto na linha.

Eu fecho os olhos contigo dentro. Acendo um cigarro às escuras tu paras num vermelho e cantas a canção. Sabes francês? Queres dizer-me galicismos com batom. Vermelho. Faço um olhar português mas algarvio. Sou um pescador moreno ou então sou um marroquino pastor transumante.

Fui ter contigo era dia de feira. A feira da ladra dos amantes. Comemos uma sopa perto e comprámos tanto por tão pouco. Copos multicolores para a tua cozinha grande. Saudades um do outro das noites em que não fazemos amor. Nas noites em que não misturamos suor cheiro sono. Saliva-memorando.

Hoje, és a adiafa dos dias salvos.

Comments:
Paul Auster aproxima-se da linha. Prepara-se para marcar.
 
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