quarta-feira, março 02, 2005

 

A luva

Levanto-me para apanhar o último comboio do Metro. Não há ninguém na estação a esta hora. A carruagem que pára à minha frente vem vazia. Antes de entrar, como é costume, olho para onde estava sentado para ver se me esqueci de alguma coisa que sei de antemão que não esqueci no banco onde estava sentado. Entro, sento-me, apoio a mão no banco do lado. Reparo no chão sujo da carruagem e numa luva de malha preta debaixo do banco da frente, esparramada, suja.

Quantos gestos couberam já dentro desta luva?

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