quarta-feira, março 23, 2005

 

"Memórias de um craque"

De como fui metido num campeonato… e não foi bonito:

O passe era para mim. O esférico vinha na minha direcção. Recebo-o percebendo que isso me traria toda a atenção. Tinham-me metido naquele torneio da terceira classe da escola primária por falta de gente para jogar. Era um campeonato organizado pelos professores e disputado entre as diferentes salas do meu ano. Não que quisesse ou gostasse de jogar, ou que tivesse algum valor.

E estava a correr bem o jogo. Limitava-me correr vagamente atrás dos outros que disputavam a vitória. Ninguém me passava a bola. Havia que gerir a coisa até que se lembrassem de dar por terminado o jogo. Mas, talvez por desatenção minha, vejo a bola nos meus pés e uma claque gritando o meu nome, um caminho interminável até à outra baliza, nenhuma capacidade para devolver prontamente o passe (se possível a alguém da equipa).

Não me lembro de mais nada! Devo ter recalcado o que se passou a seguir. É a última imagem que guardo da primeira vez que joguei à bola. Uma imagem de cima, como se o meu espírito se elevasse para ver o meu corpo de criança em apuros: calção e camisola de manga curta brancos, pele quase tão branca como a roupa, cabelo cortado a pente quatro, um pequeno ser perdido no cosmos e ocupando a zona do meio campo no corredor esquerdo (onde por acaso me encontrava). Apaguei o resto.

Sei que mais tarde voltei a jogar e comecei a gostar de o fazer. Nunca desenvolvi a técnica mas corria que nem um desalmado. Com muita pena minha acabei a escola primária sem um único golo no currículo. E toda a gente sabe da importância que nessa altura (do campeonato) isso tem junto das raparigas.

Mas posso gabar-me do facto de a minha estreia no futebol ter tido a particularidade de ser arbitrada pelo grande juiz do futebol português (que naquela altura já estava em final de carreira) Hélder Dante, que era professor ali na P3 de Almeirim.



Esta pequena crónica aparece porque comecei a ler o recentíssimo livro (o terceiro póstumo) do Fernando Assis Pacheco: Memórias de um craque, pela Assírio e Alvim.

Dedicar-lhe-ei mais tempo num post futuro.

Comments:
Pois... é engraçado como parece que por vezes conheçemos as pessoas e nunca as chegamos mesmo a conhecer!!! lembro-me de algumas aulas de educação física, mas realmente nunca me lembro de te ver jogar à bola, se calhar não tinhas mesmo jeito... Desculpa "invadir-te" o espaço,mas falaram-me k te fartavas de escrever e resolvi,como Tomé,ver p crer. Tb te devo dizer k o azul é uma bonita cor! :) Espero k estejas bem, nunca fomos propriamente amigos,(infelizmente) mas acho k gostava de manter contacto. qquer dia volto a chatear-te!!! Até lá
 
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