quarta-feira, março 30, 2005

 

Raros Cafés de Lisboa (8)

O Adriano deve andar aí pelos oitenta. O lugar cede cotas em aviso afixado na grande vidraça onde bate o sol potente deste fim de Março. Quanto ao sol, o cronista resolve com uma cerveja preta fresquíssima e pede ao velhote para fechar metade da cortina.

Imaginem uma esquina calada ao sol, a esquina da Eduardo Coelho com a de São Marçal, perto do Príncipe Real e da Praça das Flores. É aqui que fica o pacífico Café e Restaurante Guanabara. Lugar também de bocejos e cariocas de limão. Compõe-se de zona de Café e uma sala restaurante que parece nem estar no activo, mas é claro que está, ora essa!

Vamos a uma descrição sumária do local: azulejos diria que dos anos 60; embora a maioria do espaço seja forrado a madeira – tecto e paredes; a tal vidraça para sol e cedência de cotas; cinco conjuntos de mesas; um balcão com seus quatro bancos fixos; um friso entre o tecto e as paredes onde pontilham espaçados quadrados verdes em fundo branco; uma sala de refeições onde ainda não fiz mais que espreitar aqui da mesa perto da janela; sala essa a meia cave, também ela forrada a madeira e onde (coincidência?) uma televisão passa sempre que cá venho a novela Gabriela.

É sempre assim: apareço e passados uns minutos ligam a televisão e começa a canção da Gabriela seguindo-se a fala das personagens do Jorge Amado. O velho Adriano arrasta os seus oitenta entre a porta da rua e uma das mesas onde se senta atrás do Correio da Manhã. Sendo meio surdo, o Adriano nunca acerta à primeira na cerveja certa.

Pago a cerveja e sigo a seta enferrujada que aponta ao Príncipe Real. Antes de sair pergunto ao Senhor Adriano porque se chama este Café Guanabara? O velhote sorri orgulhoso e responde que o nome lhe trouxe o pai que esteve emigrante no Brasil.

Comments:
Um brinde à Caldas
(Marta, não o Largo!),
com carioca.

ora pois,
JP
 
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