quinta-feira, maio 19, 2005
Contributo para o rabbit’s blog
Excerto de O Nariz, de Gógol. Tradução de Nina e Filipe Guerra.
Entrou um oficial da polícia, de boa aparência, de suíças nem loiras nem escuras, bochechas bem arredondadas, aquele mesmo que no início da narrativa se postava à entrada da ponte de Santo Isaac.
- Foi o senhor que perdeu o nariz?
- Exactamente.
- Não me diga! – gritou o major Kovaliov. A alegria fê-lo perder a fala. Devorava com os olhos o chefe de esquadra, em cujos lábios e bochechas rechonchudas dançava a luz clara e trémula da vela.
- Como conseguiram?
- Numa circunstância estranha: foi apanhado quase em fuga. Já estava sentado na diligência que ia para Riga. Era portador de um passaporte em nome de um funcionário É curioso que, a princípio, eu próprio o tomei por um cavalheiro. Felizmente, levava os óculos comigo e vi logo que não passava de um nariz.
Um abraço, rapaz.
Entrou um oficial da polícia, de boa aparência, de suíças nem loiras nem escuras, bochechas bem arredondadas, aquele mesmo que no início da narrativa se postava à entrada da ponte de Santo Isaac.
- Foi o senhor que perdeu o nariz?
- Exactamente.
- Não me diga! – gritou o major Kovaliov. A alegria fê-lo perder a fala. Devorava com os olhos o chefe de esquadra, em cujos lábios e bochechas rechonchudas dançava a luz clara e trémula da vela.
- Como conseguiram?
- Numa circunstância estranha: foi apanhado quase em fuga. Já estava sentado na diligência que ia para Riga. Era portador de um passaporte em nome de um funcionário É curioso que, a princípio, eu próprio o tomei por um cavalheiro. Felizmente, levava os óculos comigo e vi logo que não passava de um nariz.
Um abraço, rapaz.
