quarta-feira, junho 29, 2005

 

Ditos de adolescer

As loiras só acontecem aos outros

 

Afazeres blóguicos:

Ler do princípio ao meio, todas as Bolas no Olival do MI (o meu blogue de eleição até ver). Para facilitar a fruição, imprimir o que há, ler pela casa, dar a ler pela casa, dar a ler pelo local de trabalho, dar a ler, eventualmente, a alguém que diz não gostar de futebol.

"O electrodoméstico levava selo de golo" (...)

do BnO (10) reciclado

terça-feira, junho 28, 2005

 

Silence is sexy


 

Ditos de adolescer


“A Sandra subiu a saia e o Sá subiu na Sandra”

Da NOVÍSSIMA CARTILHA ILUSTRADA de Pedro e Rodrigo Monteiro (texto) e de Rui Cardoso (ilustração)

sábado, junho 25, 2005

 

P.

tenho tanto de ti

que o que me dás

é reencontro

quinta-feira, junho 23, 2005

 

(mais do) Santo Padroeiro Nuno Bragança


“U OMÃI QE DAVA PULUS
ERA 1 OMÃI QE DAVA PULUS GRÃDES.
EL PULÔ TANTU QE SAIU PÊLO TÔPU”



 

Auto-retrato depois do PRIMEIRO SUSTO (ao tempo que isto foi)


 

Poema

onde a manhã te acorda há um silêncio de cama
a luz entra no quarto alguém te toca no ombro
é hora de fazer as malas e adormecer para o dia

 

Poema

o corpo
doente
a fome da pele do corpo que
adoece em cada estrela do caminho
na formatura das palavras
que entram que se lançam
o corpo adoecido de caminho
inchado de ar doente
ao ar doente da tarde
ao sol doente da estrada
ao largo
onde se constrói
o tempo
onde no corpo
se tatua a doença
porque a noite

 

Poema

a janela da sala enquanto era tempo

o jornal da manhã enquanto era tempo

o método de dormir em tudo isto

quarta-feira, junho 22, 2005

 

Sim Miguel Duarte, vou jogar à bola amanhã!

Devo dizer que aos 25 quase 26, me apareceu aquilo que parece ser um pequeno pneu na zona lombar e barriga. Mas vou ver melhor. Não é certo que o seja, e o facto de não ter uma pequena balança de casa de banho, não ajuda a completar a série de procedimentos habituais neste tipo de casos. Está, portanto, por confirmar esta hipótese. Esperem os leitores mais uns dias para que se completem todos os testes necessários, e, caso se confirmem os piores cenários, que todos juntos possamos então pensar um bocadinho sobre isto, perceber como terá acontecido, e, mais importante, como evitar de futuro tamanha injustiça.

 

Contributo para o blogue Naperon

“A pergunta foi simples, na aparência. O «pauvre français» queria saber se, para os do Living [Living Theatre], as palavras tinham morrido. O Julian Beck disse que não, mas que, segundo o entender do Grupo, as palavras andavam infectadas. Donde a vantagem em pesquisar, buscando outras formas de inter-comunicação.

O indígena sorriu: «Senhor Beck, você acaba de utilizar palavras para se exprimir.»

A Judith Beck, até àquela intervenção, estivera calada, mas o olhar dela via muito. Quando o francês mental largou aquela saloiada, ela disse – para ele, e com um sorriso de fraternidade sem penugens: «Escute. Nós estamos numa conferência de imprensa no Festival de Cannes. Se a situação fosse humana, eu dir-lhe-ia: ‘Comece por se deitar junto a mim e façamos amor. Após isso, trataremos de perceber qual o meio de livrá-lo do seu medo’»”

Nuno Bragança em Square Tolstoi

 

Esparsos de cadernos antigos

1.
“Estás demasiado dentro das coisas para conseguir escrever sobre elas”.

Isto dizia-me o JP em pleno il café di Roma [!] onde fomos às cervejas com f. Campo de Ourique tinha já quatro ou cinco horas de noite em cima e eu estava demasiado dentro das coisas para conseguir escrever sobre elas.

2.
Agradecer ao Jorge de Sena por ter escrito aqueles Sinais de Fogo que li entre Almeirim, Lisboa, Santo Tirso, Porto, Matosinhos, com chuva dentro e fora de mim.

Que bom um romance livre, brutal, certeiro. Mas um romance não se agradece, ou a única maneira de o fazer é dedicar-lhe todas as noites de “insónia” que foram necessárias para o devorar.

segunda-feira, junho 20, 2005

 

Silence is Sexy


 

Silence is Sexy


 

Manifestações do "Espírito Santo" (3)


“Percebi que estava numa situação difícil. A bola mais pequena estava exactamente entre a minha bola e bola dele, era impossível lá chegar, seria preciso um malabarismo, um toque com muita sorte. Acendi um cigarro e estudei a situação. Aparentemente estou lixado, disse, mas não me dou por vencido, é proibido o macê? O macê não é proibido, disse com ironia o Maître da Casa do Alentejo, mas se o senhor rasgar o pano terá que pagá-lo. Está bem, disse eu, então acho que vou tentar um macê. Fumei com calma o meu cigarro e dei uma volta ao bilhar para ver do outro lado a trajectória que a minha bola devia fazer. Gostaria de lhe fazer uma proposta, disse o Maître da Casa do Alentejo. Olhei para ele, posei o meu taco no bilhar e tirei o casaco. Diga lá então, disse. Esta jogada merece uma aposta, disse ele, tenho uma garrafa de Porto de cinquenta e dois, acho que era mesmo a altura de a abrir, se o senhor ganhar ofereço-a eu, se perder é o senhor que a oferece. Fiz rapidamente o cálculo de quanto devia custar um Porto de cinquenta e dois e do dinheiro que me restava no bolso: de facto não estava em condições de fazer apostas, o meu dinheiro não chegava. O Maître da Casa do Alentejo olhava para mim com ar de desafio. Não tem coragem? Disse ele. Tenho, respondi, o que mais me apetece esta noite é beber um Porto de cinquenta e dois. Então com licença, disse o Maître da Casa do Alentejo, e foi à procura da garrafa. Eu sentei-me numa poltrona e continuei fumando. Teria tido vontade de pensar, mas não me apetecia pensar. Apetecia-me só estar ali a fumar, a olhar para o bilhar com aquela estranha combinação geométrica que as bolas tinham formado no pano e que eu devia superar. E o estranho percurso que a minha bola teria de desenhar para atingir a bola do adversário pareceu-me um sinal: era evidente, aquela parábola impossível que eu devia conseguir no bilhar era a mesma parábola que eu estava a cumprir naquela noite, e assim fiz uma aposta comigo próprio, mas não propriamente uma aposta, antes um esconjuro, um exorcismo, um pedido ao destino, e pensei: se eu conseguir, a Isabel aparece, se não conseguir nunca mais a vejo.”


Antonio Tabucchi em Requiem

 

Manifestações do "Espírito Santo" (2)

[no comboio nocturno Turim – Paris. Um homem e uma mulher encontram-se no corredor no momento em que, dentro de um túnel, o comboio é obrigado a parar de emergência]


“Ouviu-se uma voz vinda do compartimento mais próximo. Uma voz máscula, talhada, com direito ao sorriso de qualquer porteiro.
«Darling?» perguntou a voz.
«Yes, Dick», respondeu ela. «I’m smoking a fag. As a matter of fact, I’ve finished». Sotaque oxfordiano, mas sempre as tais profundas no timbrado: uma outra fala nas dobras do proferido. Puxou uma fumaça grande, atirou o resto do cigarro para o túnel. («Escusez-moi»); de novo aquele odor: se o que os olhos viam era para prendê-los, o aroma dela desenfreava-me o projecto de mergulhar os sentidos todos nele.
«Darling», disse eu. «Is that your name?»”

Nuno Bragança em Square Tolstoi

domingo, junho 19, 2005

 

Incitação imprudente deliciosa

Postar como se não houvesse amanhã!

 

Aprender com Pollock

Recomecei hoje com o sangue do nariz. Sazonalmente, desde muito cedo na infância há um dia em que começa o sangue do nariz. Começa do nada: primeiro sinto na garganta a espessura quente do sangue e sei logo o que é. Tenho uma fracção de segundos para erguer a cabeça para trás. Engulo o vermelho sem que este chegue à boca, pois quando acontece é já um sabor coalhado.

É sempre no Verão que me esvaio em sangue. Começa o calor, os vasos dilatam, e não adianta queimar a veia, que já o fiz várias vezes e tudo volta ao mesmo. Este meu sangue tem de sair sazonalmente. Do nariz. É assim desde que me conheço.

Levei muito menos porrada na escola primária (e levei muita e injustificada) porque os sádicos dos professores que me acompanharam dos seis aos dez já se inibiam de me bater porque…eu levava as marcas para casa.

Ganhei alguma prática nisto de estancar o sangue. Enrolo um pouco de papel no nariz, o mundo pára e eu paro no mundo, e isso é o melhor. Esteja eu a fazer o que for, ninguém tem coragem de impedir um homem que sangra de se retirar em espécie de convalescença.

Têm-me magoado mais outro tipo de hemorragias.

sábado, junho 18, 2005

 

Manifestações do "Espírito Santo" (1)


(...)
- O senhor falou com ela? – perguntou.
- Isso não lhe diz respeito – respondeu Lorenzo Daza.
- Pergunto-lho porque me parece que quem tem de decidir é ela.
- Nada disso – disse Lorenzo Daza. – Isto é um assunto de homens e resolve-se entre homens.
O tom tinha-se tornado ameaçador e um cliente de uma mesa próxima voltou-se para os observar. Florentino Ariza falou com a voz mais ténue mas com a determinação mais imperiosa de que foi capaz:
- De todos os modos – disse – não lhe posso dar qualquer resposta sem saber o que ela pensa. Seria uma traição.
Então, Lorenzo Daza encostou-se para trás na cadeira com as pálpebras avermelhadas e húmidas, e o olho esquerdo girou na sua órbita e ficou torcido para fora. Também baixou a voz.
- Não me obrigue a dar-lhe um tiro – disse.
Florentino Ariza sentiu que as entranhas se lhe enchiam de uma espuma fria. Mas a voz não lhe tremeu porque também ele se sentiu iluminado pelo Espírito Santo.
- Dê-mo – disse, com a mão sobre o peito. – Não há maior glória que morrer por amor.

(...)

Gabriel García Márquez em O Amor nos tempos de cólera

 

Os poetas das canções

Absolutely Cuckoo. magnetic fields

Don't fall in love with me yet We only recently met
True I'm in love with you but
you might decide I'm a nut
Give me a week or two to

go absolutley cuckoo
then, when you see your error,
then, you can flee in terror
like everybody else does
I only tell you this cause
I'm easy to get rid of
but not if you fall in love
Know now that I'm on the make
and if you make a mistake
my heart will certainly break
I'll have to jump in a lake
and all my friends will blame you
There's no telling what they'll do
It's only fair to tell you
I'm absolutely cuckoo

 

Os braços enfrentemente*

Há que os ter!

*d’A Noite e o Riso de Nuno Bragança

 

Manifestações do “Espírito Santo” (0)

(...) “Eu amava-a, lamentava não ter tido tempo e inspiração para a ofender, para lhe fazer mal e forçá-la a recordar-se de mim. Achava-a tão bela que me apetecia voltar pelo mesmo caminho para lhe gritar encolhendo os ombros: como eu a acho feia, grotesca, como você me repugna”. (...)

Marcel Proust em Du côté de chez Swann

sexta-feira, junho 17, 2005

 

Gosto deste gajo

(...) Com efeito, quem deseja escrever uma história imparcial e completa precisa, em primeiro lugar, de tempo livre e longo; em seguida, carece de paz de espírito e de isenção de todos os empregos; deve ter, por fim, o favor e auxílio dos Príncipes que fomentem e remunerem a diligência e o trabalho das investigações (...)

Damião de Góis
Em “Descrição da cidade de Lisboa”

quinta-feira, junho 16, 2005

 

Combustão externa do Sol

Este Sol
Tão parado sobre Lisboa
Mergulha os seus braços de luz
Na espessura reflectora do rio

O rio roça os seus ombros líquidos
Na pele da margem da cidade
Enquanto automóveis viram nas esquinas
Aceleram na combustão externa do Sol

Tão
Parado
Sobre
Lisboa

terça-feira, junho 14, 2005

 

Hoje fugi do forte de Peniche

E cheguei ao pé de ti de mãos vazias.

(Adeus a Eugénio e a Álvaro)

domingo, junho 12, 2005

 

Os poetas das canções

A cidade dos artistas

Henriquez - Bardotti - Chico Buarque 1981

Na cidade
Ser artista
É posar sorridente
É ver se de repente
Sai numa revista
É esperar que o orelhão
Complete a ligação
Confirmando a excursão
Que te leva ao Japão
Com o teu pianista
E antes que
O sol desponte
Contemplando
O horizonte
Conceder entrevistas
Aos outros artistas
Debaixo da ponte
Na cidade
Ser artista
É subir na cadeira
Engolindo a peixeira
É empolgar o turista
É beber formicida
É cuspir labareda
É olhar a praça lotando
E o chapéu estufando
De tanta moeda
É cair de joelhos
É dar graças ao céu
Lá se foi o turista
O dinheiro, a peixeira
A cadeira e o chapéu
Ser artista
Na cidade
É comer um fiapo
É vestir um farrapo
É ficar à vontade
É vagar pela noite
É ser um vaga-lume
É catar uma guimba
É tomar uma pinga
É pintar um tapume
É não ter documento
Até que o rapa te pega
Te dobra, te amassa
E te joga lá dentro


 

Os poetas das canções (G.M)


 

Contributo para o blogue Exilio

Ma liberté*

Ma liberté
Longtemps je t'ai gardée
Comme une perle rare
Ma liberté
C'est toi qui m'a aidé
A larguer les amarres
Pour aller n'importe où
Pour aller jusqu'au bout
Des chemins de fortune
Pour cueillir en rêvant
Une rose des vents
Sur un rayon de lune
Ma liberté
Devant tes volontés
Mon âme était soumise
Ma liberté
Je t'avais tout donné
Ma dernière chemise
Et combien j'ai souffert
Pour pouvoir satisfaire
Toutes tes exigences
J'ai changé de pays
J'ai perdu mes amis
Pour gagner ta confiance
Ma liberté
Tu as su désarmer
Toutes Mes habitudes
Ma liberté
Toi qui m'a fait aimer
Même la solitude
Toi qui m'as fait sourire
Quand je voyais finir
Une belle aventure
Toi qui m'as protégé
Quand j'allais me cacher
Pour soigner mes blessures
Ma liberté
Pourtant je t'ai quittée
Une nuit de décembre
J'ai déserté
Les chemins écartés
Que nous suivions ensemble
Lorsque sans me méfier
Les pieds et poings liés
Je me suis laissé faire
Et je t'ai trahi pour
Une prison d'amour
Et sa belle geôlière



*Georges Moustaki

 

Do lado de Proust

Conto demorar uns bons anos a ler todos os volumes de EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO de Marcel Proust (via Tamen). Por ora, começo as primeiras páginas Do lado de Swann, Volume 1.

Agradeço ao TZC ter-me proposto esta empreitada.

sábado, junho 11, 2005

 

Serendip. Ceilão. Sri Lanka.

Pasteur disse: “No campo da observação, o acaso favorece apenas as mentes preparadas.”

Joseph Henry disse: “As sementes da descoberta flutuam constantemente à nossa volta, mas apenas lançam raízes nas mentes bem preparadas paras as receber”.

Herberto Helder disse: “MOVER-SE NOS TERRENOS DOS SÍMBOLOS COM A DEVIDA ATENÇÃO À SUBTILEZA E A CERTO RIGOR QUE PERTENCE À IMAGINAÇÃO DE QUALIDADE ALTA É O QUE DISTINGUE O GRANDE INTÉRPRETE DO PEQUENO MOVIMENTADOR DE CORRENTES DE AR”.

Em jeito de provocação, Zetho disse-me ontem: “Um poeta escreve três versos e deita a baixo toda a Guerra e toda a Paz do Tolstoi".

sexta-feira, junho 10, 2005

 

Carta

Sobre bares na noite, mulheres bonitas e olhares desencontrados escrevi um dia uns versos de que não me quero lembrar. Era num daqueles bares impossíveis em Cracóvia (já depois do golpe capitalista dos antigos) a noite e a cerveja, o sorriso de peito a peito – mister Pacheco e eu.

Se bem me lembro havia fotografias pelas paredes. A preto e branco: o mesmo corpo de mulher repetido em pormenores de pele. Era o nosso bar, a dois passos da grande praça. Na memória, a paz alastrava desde o dia em que nos perdemos no bairro judeu. Nunca conseguimos encontrar a retratista da nudez desse bar tão nosso.

Partimos dessa cidade e chegámos ao porto dos saudosos de tudo. Dois miúdos já com saudades de tanta coisa. Desde esse dia, suponho, ou desde essa altura europeia, aprendemos a perder. Pelo prazer só da melancolia.

Mas em Lisboa, cidade de ficar a ver partir os navios, a melancolia aleija muito mais. Quantas vezes, eu e o mister Pacheco, não nos achámos já - com níveis generosos de paixão no sangue - embriagados pelas ruas à noite pensando em escrever certas cartas certeiras, metermo-nos num desses comboios para Paris, tocar àquela campainha, dizer tudo à bela do bairro

Por isso, e para terminar este breve depoimento blóguico: sim, lembro-me muito bem de ti. Mas a única coisa que posso fazer é ficar aqui a escrever estas coisas. E à noite, assiduamente, visitar o local onde se mexe a tua ausência. Assídua.

Até já…

 

A pátria de Camões



“Não mais, Musa, não mais, que a lira tenho
Destemperada e a voz enrouquecida,
E não do canto, mas de ver que venho
Cantar a gente surda e endurecida.
O favor com que mais se acende o engenho
Não no dá a pátria, não, que está metida
No gosto da cobiça e na rudeza
Duma austera, apagada e vil tristeza.”

 

Contributo para o blogue da Bicicleta

Les amoureux des bancs publics

Les gens qui voient de travers
Pensent que les bancs verts
Qu´on voit sur les trottoirs
Sont faits pour les impotents ou les ventripotents
Mais c´est une absurdité
Car à la vérité
Ils sont là c´est notoire
Pour accueillir quelque temps les amours débutants

Les amoureux qui s´bécott´nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s´fouttant pas mal du regard oblique
Des passants honnêtes
Les amoureux qui s´bécott´nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s´disant des "Je t´aime" pathétiques
Ont des p´tit´s gueul´ bien sympathiques

Ils se tiennent par la main
Parlent du lendemain
Du papier bleu d´azur
Que revêtiront les murs de leur chambre à coucher
Ils se voient déjà doucement
Ell´ cousant, lui fumant
Dans un bien-être sûr
Et choisissent les prénoms de leur premier bébé

Les amoureux qui s´bécott´nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s´fouttant pas mal du regard oblique
Des passants honnêtes
Les amoureux qui s´bécott´nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s´disant des "Je t´aime" pathétiques
Ont des p´tit´s gueul´ bien sympathiques

Quand la saint´ famill´ machin
Croise sur son chemin
Deux de ces malappris
Ell´ leur décoche hardiment des propos venimeux
N´empêch´ que tout´ la famille
Le pèr´, la mèr´, la fille
Le fils, le Saint Esprit
Voudrait bien de temps en temps pouvoir s´conduir´ comme eux

Les amoureux qui s´bécott´nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s´fouttant pas mal du regard oblique
Des passants honnêtes
Les amoureux qui s´bécott´nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s´disant des "Je t´aime" pathétiques
Ont des p´tit´s gueul´ bien sympathiques

Quand les mois auront passé
Quand seront apaisés
Leurs beaux rêves flambants
Quand leur ciel se couvrira de gros nuages lourds
Ils s´apercevront émus
Qu´ c´est au hasard des rues
Sur un d´ces fameux bancs
Qu´ils ont vécu le meilleur morceau de leur amour

Les amoureux qui s´bécott´nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s´fouttant pas mal du regard oblique
Des passants honnêtes
Les amoureux qui s´bécott´nt sur les bancs publics
Bancs publics, bancs publics
En s´disant des "Je t´aime" pathétiques
Ont des p´tit´s gueul´ bien sympathiques


George Brassens, 1952

quarta-feira, junho 08, 2005

 

Contributo para o blogue A Memória Inventada

Terreiro

as crianças
jogam a infância
de baliza a baliza


em A PALAVRA EXUBERANTE de Zetho Cunha Gonçalves

terça-feira, junho 07, 2005

 

Então é assim

De dois em dois anos Lisboa propõe isto. E aconselha-se uma visita, pelo menos, a umas quantas exposições como esta ou esta que são à confiança. Mas haverá outras, com certeza, que temos de descobrir os dois: o leitor e eu.

segunda-feira, junho 06, 2005

 

Os amantes e os poetas

Os poetas das canções tombam seus talentos pelos transístores
Uma ternura em direcção a obtusos amantes
Entrelaçados como para o fim do mundo
Os amantes colam bocas mãos e às vezes sexos
E os poetas com suas guitarras e canções
Fazem deslizar pelos cantantes um sopro como saliva
E nas têmporas suadas dos amantes
Palpitam apressados corações
Os corações obtusos dos amantes
E os poetas das canções de três minutos em média
(que é quanto dura o amor que não existe)
Fumam cigarros desapaixonados nos cafés mais sujos
Da sua solidão.

 

Lembras-te?

nos dias tristes da nossa felicidade
olhava para ti e eram tangerinas amenas na sombra
do paladar de quem via

a memória
lembras-te?

a memória era por um triz
querer ser gente dentro dos dias que tecias

a minha liberdade
(sem referente sequer)
rasava o embalo muitíssimo doce do cheiro
o paladar de quem poetava as gastronomias do corpo
a fruta as mãos estilhaçando a copa da minha saudade

e somos do tamanho do que fomos
mas muito mais pequenos hoje

do que éramos

 

Patria

Tease
You
I want you
Please

 

“Les amoureux des bancs publics”*

Deixo de escrever a fotografia este silêncio “dramático”.

Recomeço com uma proliferação de poemas que não consegui controlar e pelos quais peço as sinceras desculpas. São poemas. E têm culpados dentro. Os nomes?

Georges Moustaki
Georges Brassens*
Léo Ferre

Depois, há que ir fumar o tabaco recomeçado ao Bar onde se perdem todos comboios para casa. Com um sorriso enorme dentro do peito, que a vida é linda e tudo.

Obrigado por terem escutado os silêncios desta semana toda.

domingo, junho 05, 2005

 

Silence is sexy

(SilênciooicnêliS)

sábado, junho 04, 2005

 

Silence is sexy

(Seguir-se-á com novos e infinitos silêncios enquanto não reapareceres).

 

As mãos e os blogues (13)


Rititi em boas mãos.

 

As mãos e os blogues (12)


As mãos do Caracol Perfumado.

 

As mãos e os blogues (11)


As mãos sebem da Batukada.

quinta-feira, junho 02, 2005

 

Silence is sexy


 

Silence is sexy


 

Silence is sexy


 

Silence is sexy


(tenho saudades tuas ó Brandão!)

 

Silence is sexy


foto de filipe bonito

 

Silence is sexy


 

Silence is sexy


quarta-feira, junho 01, 2005

 

P

Nenhuma palavra mais até te ver outra vez…
(sim? ;)







Este blogue é estupidamente frágil. E daí?

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