sexta-feira, junho 10, 2005
Carta
Sobre bares na noite, mulheres bonitas e olhares desencontrados escrevi um dia uns versos de que não me quero lembrar. Era num daqueles bares impossíveis em Cracóvia (já depois do golpe capitalista dos antigos) a noite e a cerveja, o sorriso de peito a peito – mister Pacheco e eu.
Se bem me lembro havia fotografias pelas paredes. A preto e branco: o mesmo corpo de mulher repetido em pormenores de pele. Era o nosso bar, a dois passos da grande praça. Na memória, a paz alastrava desde o dia em que nos perdemos no bairro judeu. Nunca conseguimos encontrar a retratista da nudez desse bar tão nosso.
Partimos dessa cidade e chegámos ao porto dos saudosos de tudo. Dois miúdos já com saudades de tanta coisa. Desde esse dia, suponho, ou desde essa altura europeia, aprendemos a perder. Pelo prazer só da melancolia.
Mas em Lisboa, cidade de ficar a ver partir os navios, a melancolia aleija muito mais. Quantas vezes, eu e o mister Pacheco, não nos achámos já - com níveis generosos de paixão no sangue - embriagados pelas ruas à noite pensando em escrever certas cartas certeiras, metermo-nos num desses comboios para Paris, tocar àquela campainha, dizer tudo à bela do bairro…
Por isso, e para terminar este breve depoimento blóguico: sim, lembro-me muito bem de ti. Mas a única coisa que posso fazer é ficar aqui a escrever estas coisas. E à noite, assiduamente, visitar o local onde se mexe a tua ausência. Assídua.
Até já…
Se bem me lembro havia fotografias pelas paredes. A preto e branco: o mesmo corpo de mulher repetido em pormenores de pele. Era o nosso bar, a dois passos da grande praça. Na memória, a paz alastrava desde o dia em que nos perdemos no bairro judeu. Nunca conseguimos encontrar a retratista da nudez desse bar tão nosso.
Partimos dessa cidade e chegámos ao porto dos saudosos de tudo. Dois miúdos já com saudades de tanta coisa. Desde esse dia, suponho, ou desde essa altura europeia, aprendemos a perder. Pelo prazer só da melancolia.
Mas em Lisboa, cidade de ficar a ver partir os navios, a melancolia aleija muito mais. Quantas vezes, eu e o mister Pacheco, não nos achámos já - com níveis generosos de paixão no sangue - embriagados pelas ruas à noite pensando em escrever certas cartas certeiras, metermo-nos num desses comboios para Paris, tocar àquela campainha, dizer tudo à bela do bairro…
Por isso, e para terminar este breve depoimento blóguico: sim, lembro-me muito bem de ti. Mas a única coisa que posso fazer é ficar aqui a escrever estas coisas. E à noite, assiduamente, visitar o local onde se mexe a tua ausência. Assídua.
Até já…

