quinta-feira, julho 07, 2005

 

Travessa da espera

Alguém não acende o cigarro
Levanta o braço à altura de olhar o relógio
Não tem horas esse braço esquerdo
O sol na pele avança desde os dedos
Subindo lentamente até ao cotovelo
Uma camisa de manga curta
O desejo secreto de um amor que descasca tâmaras
Uma sede de levar água à boca
Enchê-la de abundante noite
Vê a noite avançar pelo braço direito
Desde os dedos subindo lentamente até ao cotovelo
Os olhos tão longe de tudo
Fitando na longitude o que aparece perto
Os olhos perto de tão longe tudo
Alguém avança quieto
Estende uma tristeza até à ponta da madrugada
Prestidigita do peito a aurora
Inventa líquidos de derramar
Como lágrimas de antiga pluviosidade
Na secura áspera da espera
Alguém não acende o cigarro
Alguém limpa o rosto no braço
Deslizando-o do cotovelo à ponta distraída dos dedos

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