sexta-feira, agosto 05, 2005
Mahatma Gandhi
De norte a sul, o pé do país foge para o chinelo. Por todo o lado a presença redentora do chinelo, o som do chinelar – virtuosismos de calcanhar.
Os há de muitos feitios: de enfiar nos dedos (os mais comuns) até a singela sandália de coro que se aperta no peito do pé e que não chinela mas que sandália. Chinelar e sandaliar são os verbos mais praticados nos pavimentos litorais e nas calçadas interiores da metrópole em estado de canícula.
Que abriu (faz tempo) a época balnear dos fetichistas, ávidos de tornozelos estrangeiros, dedos belgas, unhas suecas pintadas, joanetes eslovacos, pés de rapariga muito brancos.
Eu prefiro a batata da perna, por um questão fonética, de poema: “tua batata da perna moderna, trupe intrépida em que flúis…”
Ontem, seis pés de três alemãs sentadas ao bicaense, fruíram serenos e agrupados em seus chinelos muito rasos, o calor lisboeta de 30º nocturnos. Eram pés para calçar números para cima de Golias, ou mais.
Depois, uma barriga da perna escancarada. Espreitava-me lá de dentro do bar em uma mesa junto à portada menos escancarada que a perna. Noutra mesa, uma geisha portuguesa nuns sapatos de Verão.
Descendo junto a um carril e de olhos posto na negrura do rio, ia o corpo mais bem feito da noite.
Não reparei sequer no que trazia calçado.
P S – haverá pecado a sul dos joelhos?
Os há de muitos feitios: de enfiar nos dedos (os mais comuns) até a singela sandália de coro que se aperta no peito do pé e que não chinela mas que sandália. Chinelar e sandaliar são os verbos mais praticados nos pavimentos litorais e nas calçadas interiores da metrópole em estado de canícula.
Que abriu (faz tempo) a época balnear dos fetichistas, ávidos de tornozelos estrangeiros, dedos belgas, unhas suecas pintadas, joanetes eslovacos, pés de rapariga muito brancos.
Eu prefiro a batata da perna, por um questão fonética, de poema: “tua batata da perna moderna, trupe intrépida em que flúis…”
Ontem, seis pés de três alemãs sentadas ao bicaense, fruíram serenos e agrupados em seus chinelos muito rasos, o calor lisboeta de 30º nocturnos. Eram pés para calçar números para cima de Golias, ou mais.
Depois, uma barriga da perna escancarada. Espreitava-me lá de dentro do bar em uma mesa junto à portada menos escancarada que a perna. Noutra mesa, uma geisha portuguesa nuns sapatos de Verão.
Descendo junto a um carril e de olhos posto na negrura do rio, ia o corpo mais bem feito da noite.
Não reparei sequer no que trazia calçado.
P S – haverá pecado a sul dos joelhos?
