quarta-feira, outubro 19, 2005

 

O portátil

Num dia de chuva num café pequeno em Budapeste um rapaz abre um portátil cinzento sobre a mesa. Ninguém estaria em condições de saber o que se passava no plasma desse ecrã – ele sentou-se de frente para nós, as costas para uma parede próxima, sorria entre o quase empolado e o com razões para isso. De repente, se havia algum tipo de explosão multicolor naquele café pequeno onde tínhamos ido parar, esse rebentamento tinha duas origens: vinha da moça mais-que-linda que ali servia e que nos falava num Inglês magiar cheio de graça, e vinha também daquele cinzento (cor!) do portátil solene sobre a mesa redonda do café pequeno em Peste. Que maquinava esse jovem? Tinha colado na parte de trás do ecrã (que ficava de frente para nós) a frase a preto em fundo branco:

ACTIVISM IS DEAD

Aquilo era ao mesmo tempo uma incitação irónica e inteligente e uma maneira inteligente e irónica de incitar. Alguma coisa se passava naquela mesa. O rapaz tinha um sorriso que (arrisco dizer) era de quem alinhava em subversões de ordem possivelmente pirotécnica. Mas o quê? E qual a dimensão? Nunca soube, nem nunca saberei. Ficou-me desse activismo morto-vivo propagandeado em café de capital húngara, uma vontade de também eu começar por algum lado. Comecei pela bela desse café. E iniciei o escrever.

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