Segunda-feira, Setembro 26, 2005
Nas vésperas de não partir
No dia 21 de Dezembro o B-S faz um ano de funcionamento. Tenho tempo, até lá, para criar nova série que me motive para mais (quem sabe?) um ano de blogosfera. De 21 de Dezembro em diante mudará de sítio (de nome?) de forma, linha editorial...
Mas até lá vou postando frugalmente.
Mas até lá vou postando frugalmente.
Sábado, Setembro 24, 2005
We're going through changes (ohh - [chorus])
Então,
procura-se novo tema gráfico, reorganização do material já postado, nova série shiatsica...
ou
acabar de vez (queria ao menos fazer um ano)
ou
recomeçar noutro lado. Nova cara novos métodos contenção sobriedade temperança (se possível algum talento)
as férias manter-se-ão até que desça o espírito santo...
mas fica um oi, cumo é?
procura-se novo tema gráfico, reorganização do material já postado, nova série shiatsica...
ou
acabar de vez (queria ao menos fazer um ano)
ou
recomeçar noutro lado. Nova cara novos métodos contenção sobriedade temperança (se possível algum talento)
as férias manter-se-ão até que desça o espírito santo...
mas fica um oi, cumo é?
Segunda-feira, Setembro 19, 2005
Dá-me um tempo
Vou fazer umas férias. Estou farto. É preciso dar uma volta a isto. Até depois...
Domingo, Setembro 18, 2005
E tu, Shiatsu?
Acção
Sábado, Setembro 17, 2005
Acção
Lissabon
Acção
Tuomo Manninen
Aniversário
No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
(...)
Fernando Pessoa
(Poesia de Álvaro de Campos)
Quarta-feira, Setembro 14, 2005
Os nomes das ruas
Acção
Segunda-feira, Setembro 12, 2005
Lissabon
Sábado, Setembro 10, 2005
Contributo para o rabbit’s blog
A importância do fato, de facto.
Ar puro
Lissabon
E agora, Miguel?


CANTO DE OSSANHA
Compositores: Baden Powell e Vinícius de Moraes Intérprete: Elis Regina
O homem que diz dou, não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz vou, não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz sou, não é
Porque quem é mesmo... não é
O homem que diz tô, não tá
Porque ninguém tá quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai...
Não vou, que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Amigo, senhor Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá
Amor só é bom se doer(Bis)
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor
Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, vai...
Não vou, que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor
Sexta-feira, Setembro 09, 2005
Reiki na Rua das Pretas
Quinta-feira, Setembro 08, 2005
one minute sculpture
Quarta-feira, Setembro 07, 2005
Early September
Raros Cafés de Lisboa (10)
Depois das férias para descanso do pessoal, o “escritório” reabre a porta aos poetas. Era vê-los durante o mês de Agosto em enxames dispersos pela cidade, como insectos atordoados, os poetas. Recomeçou o mês de Setembro, desprenderam já as primeiras chuvas, timidamente. Sobem-se os primeiros colarinhos para cima, e a casa, para alívio, reabre.
No Restaurante Bar Solar dos Galegos, bem no topo da Calçada do Duque, a frequência compõe-se essencialmente de poetas e de algumas personagens literárias alheias à literatura (como convém). Tanto uns como os outros são gente que fuma, mas os poetas escrevem e põem doses de paixão e estilo na maneira como pedem a cerveja ou o café e diferenciam-se também por ficarem horas a contemplar os próprios anéis de fumo tocando o tecto – o silêncio de tudo isso.
Homens e mulheres (poucas) construtores de textos encaminham-se rapidamente para o sítio do costume, deixando para trás os poisos de secundaríssima opção. De Setembro em diante, voltam a ocupar as mesas esses espécimes em extinção, falam uns com os outros, discutem a última antologia de um poeta já finado, relembram versos, trocam manuscritos, escrevem, lêem alto trechos em páginas essenciais, alguns levitam pequenos voos como nenhum monge budista se atreve lá nos Tibetes.
Aos novatos imberbes patos bravos criançolas, acenam com a mitologia, com a mística mesmo. Que o Herberto Helder é capaz de aparecer um dia destes, que o gajo já está melhor (subentende-se uma doença) e que está aí não tarda, recuperando o estatuto de habituê, juntando-se na novíssima rentrée. Ora, eu cá nunca o vi e tenho algum receio que tão grande prestidigitador ocupe uma mesa vizinha da minha – respeito muito os poetas vulcânicos.
E enquanto os Seres vão sendo no alto cimo da Calçada, o Solar dos Galegos vai existindo junto ao largo do Cauteleiro. Largo simpático de Lisboa, costas com costas com o Chiado, e roçando o saudoso Bairro Alto dos amantes. Talvez por não serem assim tantos os poetas-de-Lisboa-que-ainda-usam-os-Cafés (e nem todos são para aqui chamados, há os que preferem outras paisagens mais sofisticadas) este, é dos pequenos; o aspecto vulgar mas a televisão desligada; o negócio é familiar, como tantos outros em Lisboa; os filhos apoiam os pais e depois sentam-se a uma mesa na aturada empresa dos deveres da escola. Não raro, os poetas ajudam...
No Restaurante Bar Solar dos Galegos, bem no topo da Calçada do Duque, a frequência compõe-se essencialmente de poetas e de algumas personagens literárias alheias à literatura (como convém). Tanto uns como os outros são gente que fuma, mas os poetas escrevem e põem doses de paixão e estilo na maneira como pedem a cerveja ou o café e diferenciam-se também por ficarem horas a contemplar os próprios anéis de fumo tocando o tecto – o silêncio de tudo isso.
Homens e mulheres (poucas) construtores de textos encaminham-se rapidamente para o sítio do costume, deixando para trás os poisos de secundaríssima opção. De Setembro em diante, voltam a ocupar as mesas esses espécimes em extinção, falam uns com os outros, discutem a última antologia de um poeta já finado, relembram versos, trocam manuscritos, escrevem, lêem alto trechos em páginas essenciais, alguns levitam pequenos voos como nenhum monge budista se atreve lá nos Tibetes.
Aos novatos imberbes patos bravos criançolas, acenam com a mitologia, com a mística mesmo. Que o Herberto Helder é capaz de aparecer um dia destes, que o gajo já está melhor (subentende-se uma doença) e que está aí não tarda, recuperando o estatuto de habituê, juntando-se na novíssima rentrée. Ora, eu cá nunca o vi e tenho algum receio que tão grande prestidigitador ocupe uma mesa vizinha da minha – respeito muito os poetas vulcânicos.
E enquanto os Seres vão sendo no alto cimo da Calçada, o Solar dos Galegos vai existindo junto ao largo do Cauteleiro. Largo simpático de Lisboa, costas com costas com o Chiado, e roçando o saudoso Bairro Alto dos amantes. Talvez por não serem assim tantos os poetas-de-Lisboa-que-ainda-usam-os-Cafés (e nem todos são para aqui chamados, há os que preferem outras paisagens mais sofisticadas) este, é dos pequenos; o aspecto vulgar mas a televisão desligada; o negócio é familiar, como tantos outros em Lisboa; os filhos apoiam os pais e depois sentam-se a uma mesa na aturada empresa dos deveres da escola. Não raro, os poetas ajudam...
Terça-feira, Setembro 06, 2005
Arte
Era um amante das artes mas não suportava escultura e solos de guitarra. Também não gostava de pintura. Desinteressava-lhe tudo depois de Picasso (o último pintor, dizia, embora nem neste caso lhe agradasse o estilo) e o que antes de Picasso constituía a História da Pintura entediava-o. Sentia que já tinha visto e revisto tudo o que os séculos de pintura souberam oferecer.
Os conceptualistas, munidos de referências pós-estruturalistas (os ingleses, os japoneses, todos) de Duchamp a Avelino Ferreira Torres eram, na sua opinião, apenas proto-conceptualistas, faltando-lhes ainda, dizia-o, o busílis da questão.
Sentimento este que se estendia das artes plásticas à música. Nem jazz, nem rock industrial, electrónica minimalista, Tony Carreira ao vivo no Coliseu de Lisboa, música erudita, étnica, precisa, improvisada, nada conseguia apaixoná-lo e tocar-lhe em alguma corda sensível.
Bem como as artes de palco. O teatro era-lhe impossível, detestava actores, bailarinos, dramaturgos, encenadores, anões à porta de bares, fazia-lhe espécie o entretenimento e o espectáculo.
Não via também qualquer resto de beleza na arquitectura. Depreciava tudo o que tivesse sido erigido com assinatura. Era incapaz de se mover em espaços que roçassem a perfeição. Por exemplo, quando entrava em Serralves, sentia logo uma vontade incontrolável de sair de Serralves.
Dormia no cinema. Dormia ainda mais caso o filme tivesse sido bem cotado em estrelas pela crítica dos jornais. Comprava os jornais apenas para fazer Su Doku. Nos restaurantes comia omeletas com vinho carrascão tinto.
Para ele, Joyce era apenas uma parte da expressão “tudo Joyce” e Ulisses um calce nos pés de uma cómoda periclitante e vulgar em pinho escurecido. Uma cómoda de família sem relevante design.
Ele era misantropo mas amava as artes.
Os conceptualistas, munidos de referências pós-estruturalistas (os ingleses, os japoneses, todos) de Duchamp a Avelino Ferreira Torres eram, na sua opinião, apenas proto-conceptualistas, faltando-lhes ainda, dizia-o, o busílis da questão.
Sentimento este que se estendia das artes plásticas à música. Nem jazz, nem rock industrial, electrónica minimalista, Tony Carreira ao vivo no Coliseu de Lisboa, música erudita, étnica, precisa, improvisada, nada conseguia apaixoná-lo e tocar-lhe em alguma corda sensível.
Bem como as artes de palco. O teatro era-lhe impossível, detestava actores, bailarinos, dramaturgos, encenadores, anões à porta de bares, fazia-lhe espécie o entretenimento e o espectáculo.
Não via também qualquer resto de beleza na arquitectura. Depreciava tudo o que tivesse sido erigido com assinatura. Era incapaz de se mover em espaços que roçassem a perfeição. Por exemplo, quando entrava em Serralves, sentia logo uma vontade incontrolável de sair de Serralves.
Dormia no cinema. Dormia ainda mais caso o filme tivesse sido bem cotado em estrelas pela crítica dos jornais. Comprava os jornais apenas para fazer Su Doku. Nos restaurantes comia omeletas com vinho carrascão tinto.
Para ele, Joyce era apenas uma parte da expressão “tudo Joyce” e Ulisses um calce nos pés de uma cómoda periclitante e vulgar em pinho escurecido. Uma cómoda de família sem relevante design.
Ele era misantropo mas amava as artes.
Segunda-feira, Setembro 05, 2005
Lissabon
Lissabon
As mãos e os blogues (24)
As mãos e os blogues (23)
Domingo, Setembro 04, 2005
Queres saber como me sinto?
¿Encontraría a la Maga? Tantas veces me había bastado asomarme, viniendo por la rue de Seine, al arco que da al Quai de Conti, y apenas la luz de ceniza y olivo que flota sobre el río me dejaba distinguir las formas, ya su silueta delgada se inscribía en el Pont des Arts, a veces andando de un lado a otro, a veces detenida en el pretil de hierro, inclinada sobre el agua. Y era tan natural cruzar la calle, subir los peldaños del puente, entrar en su delgada cintura y acercarme a la Maga que sonreía sin sorpresa, convencida como yo de que un encuentro casual era lo menos casual en nuestras vidas, y que la gente que se da citas precisas es la misma que necesita papel rayado para escribirse o que aprieta desde abajo el tubo de dentífrico.
(começo de Rayuela de Julio Cortázar)



















